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sábado, 31 de janeiro de 2009

Sozinho

Tela de Caspar David Friedrich


O princípio da incerteza aflora

Quando acordo

Na superfície do mundo e

Olho a obscuridade dos seres

Em sua solidão.


Avalio o que não se quer mostrar.

Escondido dentro de si

O homem está só.


Segue na densidade das coisas

E não consegue atuar

Na generosidade.


Estou aqui pairando sobre tudo,

A refletir nessa angustia de ser.

O homem nasceu para ser sozinho.


A condição humana

Atravessa sua alma

Fazendo um ser triste e só

A medir caminhos e fugir de si.


3 Comentários:

  • Olá Rachel, é de beleza e profundidade o que escreves.
    Sòzinhos sim.
    Mas há um encanto no sòzinho.
    Através de uma palavrinha que não nos exime da solidão, mas faz um carinho nas idas e vindas entre mundos e pessoas.
    Palavra que vc escreveu - generosidade.
    Com a gente mesmo e com o outro.
    Tem uma mágica nesse negócio.
    Dois aspectos opostos mas igualmente reais:
    "Eu sou eu e você é você e isto é a solidão" - Clarice Lispector
    "A solução para a crise humana é sair de si mesmo" - S.Francisco de Assis.
    Pois é.
    Parabéns pelo blog.
    Pela mágica.
    Pelo açúcar.

    Por Blogger já tenho lesadosemgeral, às 31 de janeiro de 2009 06:22  

  • Tenho este poema de Setembro de 2008 que pode ser uma espécie de resposta ao teu poema, brilhante como sempre!


    Solidão

    1.
    As lágrimas e os lagos secos
    de dor e ardor nem monstros
    pesadelos ou novelos para desfiar
    apenas dor e sombras negras do vazio

    2.
    A aridez predomina
    o coração seco de prazer
    selvagens tentações de pudor
    e o primeiro dia foi de amor

    3.
    O céu azul escondia
    as nuvens negras de ciúme
    ausente do início do precipício
    na encosta escarpada de impossível acesso


    Beijinhos

    MM

    Por Blogger Manuel Marques, às 3 de fevereiro de 2009 13:45  

  • Lindo mesmo, Manuel.
    Estas fazendo muita falta!

    Por Blogger docerachel, às 6 de fevereiro de 2009 18:30  

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