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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Natureza

Fotografia de Nils Udo


Que o inimigo não saiba de minha volta,

Que os deuses despertem,
Porque vim para conquistar.

Arrancarei os olhos

Daqueles que se oporem a minha força.

Desenharei minha passagem

E a terra se abrirá em flancos

Para dar lugar as rochas soltas.


Empurrarei para o cimo dos cumes
A horda dos que tombaram as florestas.

Suas carnes serão sacudidas dos ossos,
Até se desprenderem e se tornarem pó.


Seguirei pelo despenhadeiro e
Encobrirei àqueles que moram

Nas sombras do abismo.


Uma poeira apocalíptica arrastará os grãos

Cobrindo todos os descampados.

Nascerei de novo e forjarei minha espada

No flanco da terra ressequida.


Arrancarei o fogo das entranhas da Terra

Para preparar as sementeiras renovadas.

Sugarei o néctar do orvalho e revestirei

O chão de delícias quando os grãos germinarem.


A possibilidade de vitória se formará
Num horizonte embriagado de êxtase.

Plantarei uma árvore da vida

Em cada canto fértil

E um sangue verde se espalhará

Como um mar transbordante.


Uma canção de jubilo entoará à minha passagem,
Quando deixar meu rastro de amante

No cio do leito da Terra.

Minha força gloriosa rasgará a escuridão do tempo

E recobrirei a Terra de destinos.


A lógica ardente que me impulsiona

Para as entranhas dessa terra verdejante

É uma vontade e um ardor de amante.

Ouvirei de novo a trombeta ressoando,

Que a Terra tornará de novo um Paraíso.

1 Comentários:

  • Quando comecei a ler este poema escutava o Dancing Queen dos Abba e que raios, o contraste tornou tudo tão belo!


    «And when you get the chance

    you are the dancing queen»

    E conseguiste dar a força que a mãe natureza dá aos predestinados no final do teu poema!


    Beijos!

    MM

    Por Blogger Manuel Marques, às 3 de fevereiro de 2009 14:12  

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