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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Fusquinha Amarelo


 Tela de Nicoletta Tomas Caravia



Uma vez, apareceu no meu bairro, no silêncio da tarde, um fusquinha amarelo dirigido por um sujeito estranho. Ele costumava fazer suas aparições na saída das escolas, aterrorizando tudo que tivesse perna e andasse mostrando sua genitália, que era nada mais, nada menos, que algo parecido com um taco de beisebol. Não tinha mulher no pedaço que não tremia, só de ouvir falar sobre o fusquinha amarelo. Ele atacava desde menina donzela à velha com aranha na telha, e até menino com feições delicadas. Numa dessas aparições sinistras, em que a baratinha amarela rodava pelo bairro, despencou uma tremenda tempestade, justamente na hora em que as mães saíam para buscar os filhos nas escolas. Foi nessa bendita hora, em que Maria Imaculada subia a ladeira, na direção à escola, que o fusquinha surgiu de repente.

Ela já estava com a saia toda molhada e a blusa branca mostrava os bicos dos seios durinhos de frio. Corria tropeçando na calçada, procurando andar rente aos muros, para não se molhar ainda mais. Foi quando ela teve a surpresa da tarde. Quem ela vê?  Um fusquinha amarelo parado no acostamento. Bem, acontece que a Ritinha, sua amiga e vizinha, também tinha um fusca amarelo (acho que era a cor do ano, pois as mulheres estavam enlouquecidas por essa cor. “Graças a Deus!” pensou ela e  foi batendo na janela do fusca freneticamente. Olhava para dentro do carro tentando ver a Ritinha, mas com vidro todo embaçado, não enxergava nada. Então, esperou que a porta se abrisse.  Assim que isso se deu, despencou para dentro do carrinho. Foi logo dizendo: Que chuva amiga! Olhou pelo canto do olho e endureceu-se toda, como se tivesse recebido um choque elétrico.

Claro que não era a amiga, e sim tarado do fusquinha amarelo. Ela pensou: “Ai meu deus do céu, é o taco de beisebal”. Ele, magrinho, branco como sulfite novo, agarrou a mão da Maria Imaculada e meteu-a no endurecido taco. Ela pensou em desmaiar, em gritar, mas quem disse que a voz lhe saia. Os olhos não desgrudavam daquilo tudo. Foi quando ele lhe pediu desculpas por tudo aquilo e implorando, quase chorando, segurou a mão dela e foi, bem devagar. se masturbando. A mão dela em baixo e a dele em cima. A Maria Imaculada  estava paralisada, é claro! Se respirava? Acho que de vez em quando! Aquilo durou uns dez minutos. Enquanto ia tomando fôlego, pensava: “Acalme-se Maria Imaculada, você já fez isso em seu marido e não foi uma e nem duas vezes, porque vai ter chilique, justo agora que Deus coloca em suas mãos um monumento desse tamanho?” O marido que a desculpasse, mas um dia ela teria que saber que o taquinho dele iria ser confrontado.

 E ela foi ficando, ficando, até que acabou gostando daquele vai e vem. Tomando gosto pela coisa, se entusiasmou e quis mostrar a ele como é que se podia tirar proveito de um taco tão grande e caiu de boca no divino.  Eu diria que aquilo virou uma apoteose, totalmente descontrolada. A situação esquentou de tal maneira que nem o sutiã e a calcinha, depois que as coisas se acalmaram, se achavam naquele fusquinha amarelo. Maria Imaculada estava desfraldada, mas completamente feliz.

Acabaram marcando um encontro num lugar mais reservado. Dai para frente, ela não me contou mais nada. Acho que não quis dividir aquele sorriso que estampava na cara com mais ninguém.
Anos mais tarde, eu soube que ela estava casada com o taco de beisebol. Perguntei-lhe se não teve medo daquele momento. Ela me disse que, a princípio sim, mas depois, vendo o desespero do rapaz que, com aquela ferramenta enorme, não conseguia manter relacionamento sexual com ninguém, se deu em sacrifício.

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